terça-feira, dezembro 25, 2007

Para quem entender...

Estrada branca
Lua branca
Noite alta
Tua falta caminhando
Caminhando, caminhando
Ao lado meu
Uma saudade
Uma vontade
Tão doída
De uma vida
Vida que morreu

Estrada passarada
Noite clara
Meu caminho é tão sozinho
Tão sozinho
A percorrer
Que mesmo andando
Para a frente
Olhando a lua tristemente
Quanto mais ando
Mais estou perto
De você

Se em vez de noite
Fosse dia
Se o sol brilhasse
E a poesia
Em vez de triste
Fosse alegre
De partir
Se em vez de eu ver
Só minha sombra
Nessa estrada
Eu visse ao longo
Dessa estrada
Uma outra sombra
A me seguir

Mas a verdade
É que a cidade
Ficou longe, ficou longe
Na cidade
Se deixou meu bem-querer
Eu vou sozinho sem carinho
Vou caminhando meu caminho
Vou caminhando com vontade de morrer


Vinicius de Moraes in "Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O que foi que aconteceu?

O Que Foi Que Aconteceu

"Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?"
(…)

Tozé Brito

segunda-feira, dezembro 03, 2007

sábado, novembro 17, 2007

Sei que sim...

- Sabes? Acho que não vou chegar a ver uma ponte feita por ti.
- Vai sim, várias até!
- Não. Já não fico cá tempo suficiente para ver-te fazer pontes.
- Eu tenho a certeza que sim.
(Pausa)
- De onde estiver, irei ver as tuas pontes…

Se algum dia fizer uma ponte, será só porque tenho a certeza que ele “gustará” de vê-la. Da mesma forma que acho que ele me lê, porque foi quem me ensinou a questionar as pequenas coisas da vida, pensar sobre elas, para talvez um dia saber transmiti-lo através da escrita...

É tudo uma troca àquele último sorriso que foi meu, que para mim, valeu mais que mil palavras...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Há Dias...

Para mim, às vezes, basta-me pensar que o dia de amanhã normalmente é melhor do que o dia de hoje, ou pelo menos diferente. Parece que vemos as coisas por outra perspectiva, como se fossemos mudando de posição à medida que as horas passam. Inconstância? Talvez, mas pelo menos nada é tão dramático nem tão monótono, ainda por cima quando temos alguém que nos acompanha nesta deambulação sem sentido, ou talvez com bastante sentido, tudo depende do ponto de vista, e neste momento só me interessa o meu.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Pensamento do dia

É complicado sermos responsáveis pelo pilar que sustenta a estrutura se nem o sabemos dimensionar.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Elevar Acima da Cegueira dos Demais

“…Lembre-se: a vida nunca nos manda à fava, mas dá-nos oportunidades para aprendermos a apreciar quem somos, a reconhecê-lo e a elevar-nos acima da cegueira dos demais.
(…)
Mas lembre-se sempre de que amamos as pessoas, mas não amamos os seus comportamentos.
Muitas vezes, nós, as pessoas, não suportamos a luz dos demais e, não podendo possuí-la, a única coisa que nos ocorre é procurar apagá-la. Erro crasso…”

Rosetta Forner in “A Rainha que Mandou à Fava o Cavaleiro de Armadura Oxidada”

sábado, outubro 20, 2007

Espaço

(Publicado)

Em busca...

“Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsoriamente...
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma."

Fátima Irene Pinto

quinta-feira, agosto 09, 2007

Que Sera, Sera

“When I was just a little girl
I asked my mother, what will I be
Will I be pretty, will I be rich
Here's what she said to me.

Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be…”

Ray Evans

Parece-me que é o único pensamento optimista que me resta, encostar-me para trás, deixar a vida acontecer, e o que tiver que ser será! Dar o meu melhor, fazer o que posso e o que tenho vontade, e o que irá acontecer? O futuro me dirá…Basta continuar a acreditar que o futuro de uma forma ou de outra me irá sorrir…

sexta-feira, maio 25, 2007

Creio

Ó Véspera do Prodígio! – IV

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

Natália Correia in: "Poesia Completa"

segunda-feira, março 05, 2007

Poema

Autor da foto: Filipa Mateus

Porque há músicas e poemas que ficam na nossa memória para sempre, que fizeram sentido uma vez e parecem fazer sentido vezes sem conta. Tudo passa, tudo muda, mas certas sensações parecem não passar. Algumas coisas ficam para sempre dentro de nós…

Poema

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingénua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Música de Ney Matogrosso
Composição de Cazuza/ Frejat

sábado, fevereiro 03, 2007

Amor Maior

autor da foto: Sandra Gradim


"Eu quero ficar só
Mas comigo só
Eu não consigo
Eu quero ficar junto
Mas sozinho só
Não é possível
É preciso amar direito
Um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora
Ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora
Amor que eu desconheço
Quero um amor maior...
Um amor maior que eu
Então seguirei meu coração até o fim
Pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim, mesmo sem querer,
Pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz, mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor"

Autoria: Ana Carolina
Interpretada por: Jota Quest

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Salvar pessoas!

autor da foto: Miguel Delgado e Silva

"...Em breve depararam com um macaco debaixo de uma árvore que pendia, preguiçosamente, sobre a borda de um grande charco.
- Deixe-me ajudá-lo ou afogar-se-á - dizia o macaco, tirando um peixe da água e colocando-o cautelosamente na árvore.
- Que está ele a fazer? Vai matar o peixe! - Exclamou a princesa.
- Pensa que está a ajudá-lo - respondeu Willie.
- Não podemos fazer nada?
- Não é preciso. Por aqui os peixes aprenderam como fazer quando os macacos tentam salvá-los.
- Quer dizer que isto está sempre a acontecer?
- Sim. Isto e pior. Se pensa que é mau os macacos salvarem os peixes, devia ver o que acontece quando as pessoas tentam salvar outras pessoas.
- Já sei disso - disse a princesa, lembrando-se da sua tentativa de ajudar o príncipe de formas que ele rejeitava, dizendo que não quereria ser ajudado.
A princesa e Willie viram como o peixe se contorcia rapidamente, libertando-se do ramo onde o macaco o colocara. Caiu na água com graciosidade e nadou para longe.
- Estou e ver o que quer dizer quanto ao peixe saber o que fazer - concluiu a princesa com um risinho..."

Marcia Grad in "A princesa que acreditava em contos de fadas"