Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Mais um Prémio!

3º Prémio - Concurso de Fotografia "Retratos da Minha Freguesia" - Santa Maria Maior

Menção Honrosa - Concurso de Fotografia "Retratos da Minha Freguesia" - Santa Maria Maior


Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Fábula...


Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

E é assim....

Diariamente, também nós tropeçamos em cobras!

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Se eu pudesse...

Se de tudo o que sei agora é assim tão diferente do que sabia antes? Nem por isso, se sabemos mais até pode ser que sim, se sentimos o mesmo, isso sem dúvida, na maioria das vezes o sentimento de medo, receio, abandono, solidão e incompreensão não deixa de ser de todo semelhante daquele que nos fazia enrolar em casulo quando mediamos apenas pouco mais de 1 metro.

A diferença é que agora já não somos pouco mais de 1 metro e é suposto sabermos muita coisa, ligarmos ao que importa, ou ao que é suposto importar, ouvir só o que és suposto, reagir como é devido e nunca fraquejar. Porque os crescidos sabem coisas, muitas coisas, os crescidos sabem tudo como é e deixa de ser, por isso já não é suposto sentirem, é tudo composto por um turbilhão de: “não ligues”, “já sabes que isso não importa”, “não podes pensar isso” ou mesmo “isso que sentes não faz sentido nenhum porque já sabes como são as coisas”.

No mundo dos crescidos já sabemos que o mundo é mesmo assim, um toca para a frente, engolir em seco, guardar por entre o armazenar de sentimento e vivências que se acumulam sem espaço mas que não podem sair cá para fora. “Já sabes que o mundo é assim…”, pois é, somos crescidos, devíamos saber muito e devíamos sentir pouco, porque em cada sensação há sempre uma voz que nos diz que é hora de seguir em frente, o espectáculo das aparências está à espera.

Medo, isso têm as crianças do escuro e dos monstros, quando crescemos e temos medo do escuro é suposto acendermos uma luz e superar esse medo, porque afinal já somos crescidos, deve ser porque já pagamos a conta da electricidade, por isso luz acesa ou apagada deve ser responsabilidade nossa. Os monstros, então esses quando crescemos temos que saber que eles não existem, e mesmo que de vez em quando nos apareçam umas formas de gente que só se assemelham mesmo a monstros, é passar sempre, é olhar para eles e pensar que monstros não existem, mesmo que tudo em nós nos transmita que fugir a correr era a melhor hipótese.

Não se sente, somos crescidos, quer dizer, é suposto dizer que sentimos, até que sentimos melhor, somos crescidos, Upi! Somos crescidos, mas a verdade é que sempre que estamos a sentir o mundo dos crescidos nos diz que o mundo é mesmo assim, que isso que estamos a sentir não é para sentir, acabamos por ter mais obediência do que quando éramos crianças, porque agora, já sabemos como as coisas são, por isso não podemos chorar de tristeza nem nos encolhermos de medo, somos crescidos, e isso, nada dessas coisas de sentir são coisas de crescidos…

Que vontade de poder dizer de vez em quando que o escuro me assusta, que precisava mesmo que alguém me tirasse aquele monstro da frente, que sinto uma grande tristeza perante a mudança e o desconhecido, que estou desapontada porque não me levaram a brincar ou que estou desgostosa porque o meu gelado caiu ao chão…saudades de sentir, sem ser suposto saber nada…

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

"As mulheres têm os fios deligados"

foto: Rui J Santos
Por estas e por outras é que eu simplesmente venero este homem (António Lobo Antunes):
“…e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com que estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela que se esqueceram de baixar o estore) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?...”

“- As mulheres têm os fios desligados e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam – Já não gosto de ti se informam – Não quer mais aí estão eles a alternarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS e levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes gagas, cenas rídiculas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e els a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham…”

António Lobo Antunes “As mulheres têm fios desligados” – Crónica na Visão

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Humanos...


Somos humanos, não haja dúvida, e a condição humana confere-nos instintos, muitos deles que não conseguimos controlar, ou talvez conseguíssemos, mas será que é preciso treinar a nossa mente, mudar alguns conceitos dentro de nós e alguma focalização para não seguirmos os instintos e reagirmos de acordo com o que é realmente melhor para nós?

Por exemplo, se nos dão uma bofetada, qual a nossa reacção? O que é que o nosso instinto nos diz para fazer? Dar uma de volta, é bem provável, ou nos encolhermos num canto para não levar mais, principalmente se esta já não é a primeira e estamos fartos de as levar. Qual das duas reacções será a melhor? Existe uma reacção melhor ou correcta? Se respondermos na mesma moeda estamos a incitar o sentimento praticado no acto, neste caso, a violência, mas se nos acobardamos é provável que nos iremos sentir menores e podemos nos vir a sentir inferiores a quem nos atacou.

Talvez a maturidade, as experiências e o percurso de vida nos ensine a reagir aos instintos e aos comportamentos dos que nos rodeiam, aqueles que não conseguimos controlar, como por exemplo quem nos faz mal, mas será que algum dia existirá uma paz de espírito interior que nos permita não nos magoarmos, não nos enraivecermos de modo a incomodar na nossa vida, conseguiremos ter uma barreira para o que não conseguimos controlar, para a maldade alheia?

Se existe um escudo para o mau eu queria tê-lo, se existe uma vacina para não nos deixarmos afectar tanto eu queria tomá-la, sempre sonhando com o dia em que não importarão coisas pequenas e que o que os “maus” nos impingem, nos causam não fará o mesmo efeito, passará ao lado, esperando pelo dia que 10 pessoas que nos fazem muito bem conseguirão encher-nos mais que aquelas 2 que nos deitam abaixo e nos fazem mal.

Um dia quero só deixar entrar o bom, e o mau ficar todo aí fora, para quem o quiser apanhar…

Terça-feira, Julho 28, 2009

Faz sempre bem recordar:

Pintor Danilo Gouveia (40 anos a pintar - 1960/2000)
Por entre uma crise de valores, onde nos confundimos e nem sabemos o que é certo ou errado, o que é simples ou complexo, o que é suposto ou o que é imposto. Quando nos aproximamos de mansinho do mundo das artes de hoje em dia e nos surpreendemos pela arrogância, vedetismo e pelas pedras que atiram a quem humildemente se quer aproximar, experimentar ou tentar fazer o que gosta.

Nos dias que correm onde já se perdeu a noção de talento para se dar lugar a ambição, e já perdeu a noção de simplicidade, compreensão e respeito pelo próximo para dar lugar a ganância e desrespeito. Quando aprendemos que para ganhar um lugar ao sol temos que apanhar muitos escaldões, e na maioria da vezes o melhor é nos metermos à sombra para não magoar muito o interior. Quando nem percebemos a razão das coisas, porque por uma questão naife, ingénua e talvez imatura ainda achámos que o mundo está cheio de pessoas seguras e boas, mas no entanto só se cruza com pessoas mal resolvidas.

Quando chegamos ao mundo dos crescidos a pensar que vão ser todos como aqueles bons exemplos que conhecemos ou que tivemos a sorte de crescer com eles por perto, e encontramos pessoas a quererem destruir antes sequer de tudo começar, ou impedir a entrada antes de sequer de chegarmos à porta, quando nos desiludimos com a vida…

Vivendo e escrevendo em completa antítese, na complexidade ou simplicidade dos opostos, quando aparece o mau procuramos o bom, quando aparece o complicado procuramos o simples, quando nos deitam ao chão procuramos uma corda para voltar a trepar. Sempre que me desiludo com as pessoas procuro ou tento me lembrar de um bom exemplo para não me desiludir, ou para a decepção passar depressa, por isso nos tempos que correm lembrei-me de um exemplo de um verdadeiro artista, faz-me voltar a acreditar, faz-me voltar a sorrir por me lembrar, encontrar ou reencontrar pessoas que valem a pena, e por isso fazem com a vida valha a pena…

Para me relembrar porquê é que sempre achei a vida das artes interessante aqui vai um pouco do que me fez gostar, interessar-me e neste momento, voltar a acreditar:

Para a frente...

Demorei tanto tempo a me habituar a viver do lado de lá, mas acho que muito mais tempo vou levar a me habituar a viver de novo do lado de cá, se lá me habituei a abrir a mente e isso soube mesmo bem não sei como me vou habituar a fechar a mente por ter voltado para cá.

Os sentimentos são recebidos com indiferença, constrangimento e desconforto, as aparências é que contam e mais cedo ou mais tarde perdemos a força interior que não vivermos segundo esses mesmo hábitos, como uma questão de sobrevivência, mais ou cedo ou mais tarde parecemos cansados de comportamentos adversos e estranhos à palavra sentimento.

Cedo começamos a não ter força o suficiente para viver com a garantia daquilo que somos porque somos postos constantemente em causa, todos lutando uns contra aos outros por um espaço quando há que chegue para todos mas parecemos todos que ainda não percebemos isso. Olhados de cima a baixo por estereótipos, estigmas e aspecto exterior ao ponto de vivermos luta constante para tentar ver no meio disso tudo o que realmente somos.

É cansativo e na maioria das vezes insatisfatório, qualquer solução parece insatisfatória, a solução para conseguirmos enfrentar as adversidades de hábitos, costumes, géneros de cultura ou seja lá isto o que é, anda por aí, encontrá-la está complicada, deve estar no meio de uma encosta ou no fim de uma rua de orografia acidentada. A questão será sempre se conseguimos nos habituarmos sem ficarmos iguais ou voltarmos ao que éramos? Existe uma solução para a frente voltando ao mesmo sítio?

Domingo, Julho 12, 2009

Calar...


Se de todas as vozes que sussurram no nosso interior qual deveria ser aquela que fala mais alto, seria a que puxa para cima mesmo confrontada com as circunstâncias ou aquela que puxa para baixo nos fazendo acalmar e nos reduzirmos à nossa insignificância mas que de certo modo nos assenta na simplicidade e nos completa na simples vontade que querermos o que nos chega?


Se por um lado a voz sussurra que o que existe chega, e que querer mais ou melhor é um simples imposição que não trará felicidade nem grandiosidade, que essa está dentro de nós e que pode ser conseguida com bem pouco, por outro um chamamento a ser mais e melhor, a pensar que a vida não tem limites e que podemos ser e fazer tudo, podemos fazer demais.


Se por um lado a vida nos ensina a nos contentarmos com pouco, porque sempre que nos dá também nos tira, também nos impõe e nos exige que temos que cavalgar por entre as nossas fraquezas e sensações se não queremos ficar esmagados no meu da multidão. A vida que nos dá alma é a mesma que nos tira o tapete debaixo dos pés quando achamos que conseguimos.


A verdade é que a paz interior é alto inatingível e se não conseguirmos calar as vozes interiores, aquelas que nos baralham e nos põem em causa, que às vezes fortalecem mas às vezes derrotam. Não seremos nunca perfeitos, até podemos nos convencer que isso não teria piada nenhum e serviria de pouco, mas continuamos a completar-nos a nós mesmos com subterfúgios de complexidade e sucesso.


Tudo tem que ser aqui e agora, e as soluções tem que ser imediatas, nada pode ser contraditório e tudo deveria correr como o esperado, porque a vida, essa parou de nos ensinar a lidar com as contrariedades, simplesmente a almejar algo possível, mas inatingível num presente instantâneo…simplesmente sem paciência de viver um dia depois do outro, ou talvez a vida não nos dê esse tempo, tudo seja necessário antes do tempo, para completar os outros, o mundo, mas talvez não a nós mesmos…

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Sinto-me...


Sinto-me lá, distante, sinto-me de onde vi e de onde nunca deveria ter saído. Sinto-me onde pertenço, onde me encontro, onde me reconheço, sinto-te ali e não aqui, sinto-me peixe fora de água, sinto-me perdida, sinto-me encontrada.


Sinto-me forçada, sinto-me deslocada, sinto que mesmo deixando anseio o regresso e reconheço tudo por onde passo, sinto-me lá, sem dúvida mais lá que cá. Sinto-me sem pertencer e sem encontrar, sinto-me sem saber, sinto o espaço, o momento, sinto-me acompanhada.


Sinto-me mais que aqui, e sinto que nunca deveria ter partido, encontro-me e reconheço-me e sinto-me muito mais eu quando para lá volto, e sinto que para fazer sentido, era preciso mesmo sentir…

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Hoje, lembrei-me


Autor da foto: Rui J Santos


"Violência gera violência, os fracos julgam e condenam, porem os fortes perdoam e compreendem" Augusto Cury

Hoje, voltei a relembrar-me da “causa-efeito”, de que tudo o que mandamos lá para fora iremos colher, voltei a lembrar-me de que é preciso tratar do interior e deixar o “mau” para lá da porta. Hoje voltei a lembrar-me de inspirar e expirar, voltei a lembrar-me do verdadeiro sentido da vida.


Hoje, voltei a lembrar-me que é preciso nos concentrarmos no que realmente importa, em quem realmente importa, quem nos faz bem, voltei a lembrar-me que julgar nunca foi bom, não o devemos fazer e nem devemos aceitar que o façam conosco, mas quando o fizerem, o melhor mesmo é ser forte e perdoar, e não deixar que essa maldade entre para dentro de nós.


Hoje, voltei a encher-me com uma luz branca e a beber um chá de erva doce. Hoje, voltei a sentir-me rodeada de quem quer passar energia positiva para os outros e ama o próximo como se ama a si mesmo.


Hoje, percebi, que mais do que nunca precisava de me voltar a lembrar disso tudo e que aqui e agora tudo isto é essencial.


Hoje, percebi o mal que me rodeia e quanto o estava a deixar entrar dentro de mim, e amanhã, vou querer voltar a lembrar-me e nunca mais me esquecer…

Terça-feira, Junho 16, 2009

Será somente dimensionamento de estuturas?

foto: betonagem de laje


Qual a sobrecarga? Do piso intermédio ou da cobertura? De habitação ou de escritórios? Em Faro ou no Porto? Tem vento? Tem neve? Qual o coeficiente de sismicidade? Incremento de 10% devido à torção?


Torção, sim torcer o pescoço mais concretamente, ou pelo menos abanar um pouco. Com fendilhação? Sim, anda com muita, abrindo aqui e ali, porque não conseguimos prever o futuro e para algumas coisas não podemos pré-dimensionar e saber de antemão que vai fendilhar?


Porque sabe bem, mesmo bem, e o bom era que a vida fosse toda assim também, ter que ser menores ou iguais a…e se for, vai cumprir as expectativas? Senão, também basta meter um pouco mais de uma coisa ou de outra, seria tão fácil se fosse tudo assim, se oscilasse mas não caísse, e até fosse bom desviar um pouco.


O solo é compacto, nem por isso, existem verdadeiros problemas na fundação, ou melhor, parece que não quer crescer para cima, sim, para sim, porque aqui podemos fazer crescer para baixo e eu nem sabia disso. Mas não cresce, fica no piso térreo agarrado à fundação e não quer crescer, tem medo de crescer e não conseguir aguentar o vento.


É inveja, é sim, são complexos infinitos, que pena que dá, se lhe metermos um pouco mais de aço não resolve? Pois…não, aço nos casos de inveja crónica não resultam, mas mesmo assim aço com diâmetro de 8 talvez desse para ter menos inveja.


É mau, é sim, como a água em cima de uma laje, faz diferença? Faz, claro que faz, a água faz sempre diferença, principalmente se a água verter dos nossos olhos, por isso a laje tem que ter a espessura indicada para aguentar.

Faz pena, mas faz mesmo, mas pena mesmo é termos uma sapata que não aguenta o peso, isso sim, pena da falta de base de sustentação que anda por aí, é preciso ir buscar aos outros a verdadeira felicidade?


Vais jantar? Vais sair? Vais ficar? Porquê? Porquê? Igual? Não, tem tantos por aí, lá por não conhecer nenhum e só esse, e lá por ser igual, não quer dizer que seja igual, é igual e não é igual. Eu? Nunca! Sim, sim, sim…


Um pilar que quer ter as mesmas dimensões que o pilar do lado, fica invejoso, mesmo que lhe expliquemos que está a sustentar mais peso, que em cima de si tem 7 andares e não 5, por isso tem maiores dimensões, mas mesmo assim querem ser todos iguais, já não se valoriza a individualidade, somos melhores se formos iguais aos outros, aos do lado.


Mimosa, do leite? Não qualquer coisa com carros e pessoas, tudo a andar de forma organizada e planeada. “Do you speak English?” Oh, yes, very well, thank you! Do you want me to translate that?


“Quer trabalhar no quê?”…”Isso não pode, não tem habilitações, que tal administrativa?”, não dá, ou será que dá? Tem idade e mais, tem idade e menor, tem que ser maior, mais pequena, diferente! Pois é, mas desde que seja mimosa!


Tem sobrecarga? Tem, na cobertura e nos pisos intermédios, e ainda por cima, tem carga permanente!



Quinta-feira, Junho 11, 2009

Um dia...

Um dia pode ser que me volte a habituar, ou melhor, comece a me habituar, acho que nunca estive habituada, a isto tudo por aqui…

Acaba por ser tudo uma questão de aceitação, de não querer mudar, de parar de estranhar, e simplesmente viver com o que nos rodeia, mesmo que seja um pouco, como hei-de dizer…”estranho”.

Um dia, quem sabe, vou-me habituar a isto…

Segunda-feira, Junho 08, 2009

E de todas as vezes, lembro-me...

Fotos: Para a próxima pesquisa de Google de imagens para acompanhar alguns tipos de textos, publico-as aqui, com muito orgulho na primeira foto, meu avô Fernando Homem da Costa e eu, e na segunda foto, meu pai Nuno Homem da Costa e eu.


E, de repente, alguém me perguntou, de todos os textos que tinha escrito qual o que gostava mais?


Não sei, todos e nenhum, alguns deles ou mais algum, mas há um que mais me lembro, não sei se isso significa que é o que mais gosto, talvez não, talvez sim, mas há um, que não há um dia que passe que não me lembre, de partes, do seu todo, do que significa, do que quer dizer.


Não passa um dia em que não me lembre de: “outros”, não passa um dia em que não me lembre dos outros, não passa um dia em que não me lembre de não me lembrar dos outros, de não viver para os outros, de não sentir pelos outros, de não deixar que a minha vida seja definida pelos outros.


Hoje, e aqui, principalmente aqui, não há um só momento em que algo me faz parar de ser os outros, e me faça lembrar que o que importante, o que realmente importa é sermos nós, o que realmente importa, o que estamos destinados a ser, um percurso traçado, escolhido e que ninguém é os outros.


Não ser dos outros, não ser pelos outros, não ser para os outros, não ser os outros. Olhar para dentro, bem para dentro e vermo-nos a nós, falarmos de nós, sentirmo-nos a nós, partilharmo-nos a nós, sermos nós.


Seremos sempre nós enquanto olharmos de dentro para fora e não de fora para dentro, enquanto absorvermos o bom para depois o mandarmos ainda melhor, enquanto repelirmos o mau, o que não nos serve, o que não nos define, enquanto aprendermos a deixar cá fora tudo o que não faça parte da nossa história, tudo o que nos magoe por dentro, tudo o que corrói e torna-nos no que não queremos ser, no que não estamos destinados a ser, tudo o que a nós não nos pertence.


Os outros, no sentido mesmo dos outros, não passam do teste que a vida nos apresenta para ver se sabemos realmente quem somos, os outros, os que nos põem em causa existem para nos darem certezas a que é que pertencemos, de onde viemos, para onde vamos, do nosso legado, da nossa formação, do que somos.


Por isso quando os outros questionam, tentam denegrir, enxovalhar, pisar, insultar, julgar de onde eu pertenço, de onde eu me formei, me construí, onde eu nasci, àqueles a quem orgulhosamente hei-de sempre pertencer, eu digo simplesmente, “Porra!”, porque aprendi a dizê-lo com o meu avô, porque acredito que naquele momento em que ele se descaiu e deixou que eu aprendesse a palavra “Porra” era o destino a querer que eu o dissesse sempre que fosse preciso, que fosse forte quando teria que ser, que diria “Porra!” para mandar cá para fora o que pertence aos outros e não a mim, o que está nos outros e não em nós.


E assim continuo, nos momentos em que vejo que outros mancham a imagem, insultam, julgam, até quem já partiu, sem dar a cara, sem dar o nome, esses, os outros, que o fazem para magoar, porque estão magoados e querem companhia , e para isso trazem consigo a mágoa e a dor e deitam para ao mundo, sem dó, nem piedade. Direi sempre “Porra!” e nesse momento, elevarei o meu pensamento mais e mais, por cima dos outros e para dentro de mim, para dentro de nós, e irei sempre lembrar-me que os outros não nos formam, não nos fazem, não nos atingem quando somos simplesmente e inequivocamente nós.


Seremos nós a mandar o mal que nos atiram bem para fora de nós, seremos nós fortes. Fortes porque sabemos o que somos e porque somos, e felizes porque falamos para os outros e não dos outros, porque sentimos e partilharmos com os outros, porque nos honramos do nosso passado, de onde viemos, de como pensamos, de como vivemos, do que aprendemos, porque nos honramos dos nossos.


E depois disto, só me resta dizer: “Porra!”, ainda bem que mandei isto tudo cá fora, sem magoar outros, sem insultar outros, ainda bem que consigo falar de mim para os outros, ainda bem que dentro de mim vivem memórias de pessoas essenciais, humanas e que fizeram de mim o que sou hoje e que me ensinaram a ser assim.


“Porra!” para tudo o que não quero viver e ser, para tudo o que não vou deixar entrar porque assim deixarei no mesmo local de onde partiu, e de lá não sairá, ficará nos outros, a pertencer aos outros, palavras de destruição que corroem por dentro, que ficam de onde saíram.


Todos os dias lembro-me de não me lembrar dos outros, e de só percorrer espaços internéticos que falam de sentimentos, de dentro para fora e não de fora para dentro,


E porque sou humana digo “Porra!” que fique a maldade nos outros, que os consuma enquanto assim o quiserem, e enquanto a quiserem mandar cá para fora, o fardo é pesado? Livrem-se dele num deserto, não atirem para ninguém. E porque sou mesmo humana, dá-me gozo pensar que tudo o que escrevi, e para quem escrevi nada disto vai perceber, a não ser a palavra “Porra!”.


Sábado, Junho 06, 2009

Lembro-me


Lembro-me de quando era criança e via,

como hoje não posso ver,

a manhã raiar sobre a cidade.

Ela não raiava para mim,

mas para a vida,

Porque então eu, não sendo consciente

eu era a vida.

E a via a manhã e tinha alegria.

Hoje vejo a manhã, tenho alegria,

e fico triste.

Eu vejo como via,

mas por trás dos olhos, vejo-me vendo.

E só com isso, se obscurece o sol,

o verde das árvores é velho,

e as flores murcham antes de aparecidas.


Do Livro do "Desassossego"

Fernando Pessoa

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Tinha uma prenda para ti...


Tinha uma prenda, uma prenda para ti, para o dia dos teus anos, não te dei. Escolhi, pensei, por entre ideias que me faltavam porque acho que já não te conheço o suficiente para ter muitas ideias, será que ainda gostas das mesmas coisas? Será que ainda usas as mesmas coisas e ainda queres o mesmo da vida? Não sei…

Não sei se ainda te conheço, mas mesmo assim comprei, mas não mandei embrulhar, pedi o papel de embrulho para levar para casa para ainda poder escrever alguma coisa lá dentro antes de te mandar. Ainda aqui tenho, e dias foram passando, e meses foram passando e ainda a tenho aqui, no mesmo sítio onde a pousei quando cheguei a casa depois de comprá-la.

E lá está ela a olhar para mim, a me lembrar que já não me lembro o quanto me gostava de lembrar e que também já não te deves lembrar. Deixei-a ali, nem sei porquê, mas penso que achei que já não devia fazer sentido, só se escolhe prendas para quem se conhece e sabe-se de que é que gosta, e eu já não do que é que tu gostas.

Ali está ela, pousada sobre o papel laranja que a deveria embrulhar, com uma folha de papel onde está a tua morada que deixei de saber se cor, e ali está ela. Ainda não a consegui usar, nem a quero dar a mais ninguém, escolhi-a para ti, e nunca te dei.

Tive medo do que não deveria ter, e tive receio do que estava a acontecer, não te dei porque pensei que já não era suposto e voltei assim a preocupar-me com o que era suposto, sabes como é…falta de ti, assim me esqueço de que isso não importa, de que nada é como deve ser, esqueço-me de mim…

Deixei-a ali, na estante a olhar para mim, por cima do papel de embrulho, meses depois, comprei e nunca te dei, e talvez nunca te dê, mas nos próximos anos penso que ainda voltarei a comprar a pensar em te dar, e talvez nunca te dê, mas voltarei a fazê-lo até que me mentalize que já faz parte, até me habituar que já não nadamos no mesmo oceano, e por isso, talvez embora eu queira, já não deva ser suposto…

Há dias...

"Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas

Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam

Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam

Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!..."

Luís Represas

Há dias assim, em que não se acredita ou se deixou de acreditar, há dias assim, em que falta uma coisa mas temos de outra, há dias assim, daqueles em que o mundo todo se uniu para nos tramar, há mesmo dias assim, em que os conceitos e as crenças andam um pouco esquecidas.

Há dias assim, em que faz pouco sentido, em que nos vemos a pensar porquê e para quê? Há dias em que não se consegue acreditar. Há dias assim, sós, em que parece que todos partiram para parte incerteza e não têm hora de voltar, há dias assim em que o que realmente importa parece que foi esquecido para segundo plano.

Há dias assim, em que não bate certo, que desanima, entristece e parece difícil, há dias em que parece que sou eu e tu e isso é muito bom mas que teria que existir mais, há dias pequenos e curtos que só conseguem fazer sentido por breves momentos em que afundamos a cabeça naquele espacinho que nos dá paz e tentamos não pensar em mais nada.

Há dias assim, em que tudo o que nos possam dizer ou por mais que procuremos voltar a encontrar o caminho por não desanimar, não apetece continuar, há dias em que pensamos que o melhor é não forçar, e talvez, nem tentar. Há dias em que tudo parece tão contraditório que só baralha, há dias em que só conseguimos ouvir o mau e ver o péssimo.

Há dias em que mesmo que o sol brilhe fechamos as cortinas para ver o escuro dos dias, mesmo que ele aparentemente não exista, há dias em que não vale a pena, em que todo o esforço parece em vão e tudo, mas mesmo tudo o que esteja ao nosso alcance fazer é inútil e vale mesmo pouco. Há dias em que parece que ninguém dá por nós se não for pelo mau.

Há dias em que viver neste mundo tem pouca graça, apetece rir e chorar, sentir e esquecer. Há em que o bom não parece trazer o bom e que por mais que se caminhe estamos sempre no mesmo lugar. Há dias em que por mais que nos tentemos erguer há uma força a nos puxar para baixo. Há dias que parece que o alecrim faz falta.

Há dias assim, há dias que deviam acabar…


Terça-feira, Maio 26, 2009

Privacidade? Hã?

Privacidade, acho piada, ultimamente muito me perguntam sobre a privacidade, se não me incomodo que me leiam o que vai na alma, se não me importo que saibam o que sinto, talvez porque para a maioria a privacidade está aí mesmo, nos sentimentos e não nos actos.

Mas o que é então a privacidade e como conseguiríamos então preservá-la? Se guardarmos os sentimentos cá dentro estamos a nos preservar, porque assim não nos conseguem ver a dor, a solidão, a tristeza, será? Mas ela está lá na mesma, e os acontecimentos estão lá na mesma, lá, aqui, em todo o lado e na maioria das vezes para todos verem.

Guardamos cá dentro os sentimentos mas a nossa vida anda cá por fora, porque assim tem que ser, não podemos nos fechar entre quatro paredes e fazer tudo lá por dentro, e mesmo que o conseguíssemos teríamos que o fazer sozinhos, porque se alguém entrasse e depois saísse estaríamos sujeitos a que contasse cá para fora e lá se ia a privacidade.

O que será então a privacidade, juro que é um daqueles termos que ainda não consegui encaixar e ainda não consegui perceber quando é tenho e quando é que perco a privacidade, principalmente nesta coisa de sentimentos, já que a grande questão é eu escrever sobre sentimentos.

Privacidade conquistasse quando guardamos a vida para nós, quando nada nem ninguém tem que saber o que fizemos, com quem fizemos, porque fizemos, é isso? Mas os acontecimentos como se já disse têm que se passar no mundo, por isso alguma coisa se sabe, mas só alguma coisa, porque o resto, ninguém tem nada com isso e aí não se diz nada, não se conta nada, faz-se uma cara séria e de indiferença e prontos! Temos privacidade!

O engraçado e que reparei por experiência própria é que nunca senti que tinha privacidade, deve ser por ter crescido numa Ilha, onde tudo o que se faz ou deixa de fazer tem interesse, e melhor ainda, tudo o que não se faz nem nunca se faria interessa ainda mais. Viver num espaço onde a roupa que levamos vestida, com quem falamos, se sorrimos ou choramos, se berramos ou falamos interessa, tudo isso interessa, principalmente se for para dizer mal, quer dizer, normalmente é sempre para dizer mal.

E dessa falta de privacidade ninguém se livra, pode tentar vestir a roupa mais discreta, aparecer o menos possível para que não falem e assim ter privacidade que não vale a pena, só se deixarmos mesmo de ter vida, porque senão vão sempre falar. E quanto mais falam mais nos fechamos, mais nos calamos, mais tentamos puxar aquela máscara da indiferença como que a dizer ao mundo que nada nos afecta, e que somos seres muito “privados”.

Já fui assim, séria, fechada em mim, com muitas máscaras, e tudo era origem para comentário, tudo dava história, estava com aquele, mas gostava daquele, tinha aquele mas afinal também tinha o outro, falava, não falava, era, não era, deixava de ser, fazia errado, fazia certo, ia por ali, não, ia por aqui, e lá andava eu a me cansar com o que os outros diziam e a tentar cada vez mais manter a minha privacidade.

A verdade é que a natureza humana interessasse por isso mesmo, factos, acontecimentos, ir por ali ou ir para acolá, estar com este ou com aquele o outro ou toda a gente, ninguém quer saber de sentimentos. Sentimentos, Meu Deus! Sentimentos…quando se fala de sentimentos ouve-se muito silencio e melhor que isso, quando eu falo de sentimentos oiço privacidade.

Parece estranho mas a verdade é que quanto mais falo de sentimentos mais se calam à minha volta. Um dia alguém ensinou-me que em vez de dizer que estava chateada devia experimentar dizer que estava magoada, a verdade é que a reacção é totalmente diferente.

Numa altura em que não se falam de sentimentos, em que não se fala com a alma e com o coração, mas sim com a cabeça e em tentativas de tentar parecer uma coisa que não somos, mas que queríamos muito ser, em que tentamos não falar de sentimentos a ver se assim não os sentimos tanto e que fragilidade é sinal de fraqueza, e sensibilidade é sinal de ingenuidade, falar de sentimentos assusta tanto que toda a gente nos dá privacidade.

Invadir a privacidade para mim é falarem de coisas que não são verdade, porque julgamentos de valor sobre os outros, isso fico com quem os faz. Há dias alguém dizia que nesta Ilha a maioria dos blogues eram que cariz político e de oposição, não sei. Tenho conhecimentos de blogues que comentam vida alheia e enxovalham pessoas em praça pública, mas isso diz alguma coisa sobre quem o escreve ou sobre quem está lá publicado? Eu acho é que nesta Ilha se fala e se pensa muito pouco em sentimentos, anda tudo magoado mas só sabe expressar desta forma, tentando magoar os outros! Isso é invadir a privacidade? É, mas é ainda mais uma demonstração da degradação humana que em vez de falar de factos, argumentos ou sentimentos, fala da vida dos outros, mas também não é escondendo a sua vida que as pessoas se livram de ser alvos em locais blogosféricos desses!

Por isso quando me perguntam se não me importo de falar de mim assim, e escrever estas coisas às vezes tão íntimas, tenho a dizer que não, que tudo o que senti não tenho medo de mostrar, porque medo, frustração, raiva, dor, contentamento, alegria acho que são sentimentos que todos um dia sentem. E sobre estas coisas ninguém vem para aqui chafurdar e comentar, acho que nunca verei num blogue, desses, de quem comenta tudo e todos: “Joana Homem da Costa sente medo e frustração perante as vicissitudes da vida!”, por isso sinto-me muito privada! Nunca falaram tão pouco de mim!

Querem falar de alguma coisa, gostam tanto de falar dos outros em vez de falar de si próprios, então falem, mas falem certo, do que realmente acontece, que realmente é e não do que parecer ser ou é mais interessante para falar. Querem falar de mim? Querem entrar na minha privacidade? Então aqui têm! E a verdade é que desde que escrevo e publico sentimentos, anda tudo tão caladinho, e eu ando a sentir-me cheia de privacidade, querem falar? Perguntem, querem saber? Leiam, e depois falem, se conseguirem! Querem comentar de modo mesquinho sentimentos, é preciso muita arte para conseguir isso!



Sábado, Maio 16, 2009

Pelo olhar de uma objectiva...


Quando a conheci tinha um ar inseguro e tímido, agarrava-lhe na mão e caminhava junto dele como à procura de protecção, para se sentir segura do mundo, da vida. Tinha no olhar alguma tristeza, e mostrava como um desejo de comunicar mais, mostrar aquilo que sentia mas não parecia conseguir, existia como uma barreira com o mundo, uma porta fechada que se tinha erguido por medo ou por imposição da vida.

O seu olhar tinha algo único, puro e sincero, o seu olhar que transmitia medo passava também uma mensagem de simplicidade, mostrava exactamente aquilo que sentia, medo. Não tentava cobrir os sentimentos com máscaras ou disfarces forçados, tinha verdadeiramente medo do mundo, e a verdade é que todos nós temos medo do mundo, sempre ou em algumas alturas da vida, talvez quando o mundo não nos está a mostrar nada de bonito e está a ser duro conosco, mas a verdade é que dificilmente mostramos isso, que temos medo, que estamos inseguros.

Um dia segurei-lhe na mão e apertei-a nos meus braços enquanto soluçava e temia o desconhecido, o mundo lá fora. Para alguns a vida cedo mostra como o mundo pode ser feio e cruel, e talvez cedo demais, quando ainda deveríamos deixar passar os dias de uma forma inconsequente e sem preocupações, cedo percebemos os perigos da vida…

Mais tarde, quando nos olhávamos as duas em frente ao espelho e enquanto me explicava como melhorar a sua aparência e disfarçar as lágrimas ou os sinais de fragilidade com alguns cremes e pós percebi como o mundo era cruel para as mulheres. Incutia-nos desde cedo a necessidade de parecermos perfeitas, cuidadas, sem falhas, as fragilidades tinham que ser camufladas e disfarçadas. O mundo exigia e julgava de uma forma tão cruel que deixava marcas, que criava inseguranças…

Uma apreciação de seres humanos unicamente pelo seu aspecto exterior, uma constante procura de defeitos e falhas. Se ela era agradável aos olhos então seria necessário procurar as falhas em outros campos, talvez o intelectual, se pelo contrário a parte intelectual constrange os restantes então será altura de procurar por uns quilos a mais, sei lá, ou algum defeito exterior evidente. E os sentimentos, a sensibilidade interior que é tão evidente para quem perder algum tempo a olhar uma pessoa com olhos de ver…olhar mesmo para dentro deixando as suas inseguranças pessoais de lado por um instante e apreciando verdadeiramente o outro?

Um dia mais tarde, quando lhe apontei uma grande objectiva esperando ver no seu olhar o mesmo olhar amedrontando e inseguro com o mundo que a rodeava ficou positivamente surpreendida. Do outro lado da objectiva estava a expressão de uma mulher segura, com um enorme poder dentro de si, um poder que vinha de dentro para fora e não ao contrário. Não era simplesmente a menina de pele perfeita, cabelos bem tratados e de aparência cuidada, era uma alma completa e recheada que transbordava por entre o olhar e na sua expressão corporal.

Será que sabe que têm todo esse poder dentro de si? Pensei eu, se não sabe aos poucos irá descobrir, que não tem que ser só uma cara bonita, e não tem que ter as medidas ideais, que é muito mais que isso, é uma fonte de conhecimento, é um percurso de vida tão completo e que mostrava um enorme enriquecimento interior, sensibilidade e sinceridade estampadas no rosto.

Não é só uma mulher bonita a ser fotografada, não é só uma fotografia de uma mulher bonita, é muito mais, para uma objectiva, o que transmitimos é tudo o que realmente somos, o que nos vai na alma, é o espelho do nosso verdadeiro eu, e que lindo de se ver…

Por vezes, para uma objectiva apontada para nós pensamos estar a posar, a fingir, mas não, estamos simplesmente a mostrar sem medo o nosso verdadeiro eu…

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Pessoas...

Ando com fobia de pessoas, sim pessoas, essas mesmo, pessoas de muitos géneros, de um modo geral, uma fobia mesmo à seria, daquelas fobias que faz com que nos fechemos para o mundo para não ter que enfrentá-la, neste caso, enfrentar pessoas.

Pode parecer estúpido, arrogante, o que for, mas há que dizer que algumas alturas da vida ficamos realmente com fobia de pessoas. Quando abro a porta de casa as pessoas que vejo não tem propriamente o aspecto que as pessoas deviam ter, mais ou menos como aqueles espelhos dos parques de diversões, assim me parecem as pessoas distorcidas, esticadas, alargadas, deformadas.

Não estou a falar no sentido físico, embora faz no meu interior meio original e complexo elas parecem-me assim, estou a falar mesmo por dentro, as pessoas não andam lá muito pessoas, ou pelo menos algumas pessoas fizeram com que eu criasse esta fobia em que todas as pessoas me começassem a parecer menos pessoas.

A condição humana ora me fascina ora me repugna, é mesmo assim, o 8 e o 80, há alturas onde ando maravilhada com as pessoas e outras alturas em que não posso nem vê-las. Talvez por ter essas alturas em que ache que as pessoas são grande coisa, eleve muito a fasquia e logo em seguida me desiludem, essas pessoas.

Mas a verdade é que raios partam as pessoas, e há por aí cada pessoa! Um dia quando dizia a uma amiga que uma pessoa era má pessoa, ela respondeu-me que com alguns comportamentos, os dessa pessoa em concreto, faziam com que ela perdesse o rótulo de pessoa, “ele nem é uma pessoa…é outra coisa qualquer”, dizia-me ela. E é bem capaz de ser verdade, talvez nem todos sejam pessoa, não sei…

A verdade é quando existem pessoas que nos desiludem muito, mas mesmo muito, ou percebemos que afinal o mundo e volto a insistir, o mundo dos crescidos, está cheio de pessoas muito pouco pessoas, e que nos fazem querer limitar o nosso universo de pessoas que nos rodeiam.

Não sei bem porquê, não sei bem desde quando, ou até quando, mas a verdade é que nos dias que correm há alguns tipos de pessoa que não quero nem ver, e algumas pessoas que espero que estejam bem longe, e infelizmente pessoas que temos que aprender a viver com, ou não…



Terça-feira, Maio 05, 2009

Carneirinhos...


Um, dois, três, quatro carneirinhos…

Enquanto o barulho ensurdecedor da noite não deixa descansar, sente, foge, agarra, apaga, acende tudo de uma assentada só. Finge, magoa, grita, chora entre misturas de um mundo exterior. Para, começa, respira, corre sem saber até onde ou quando parar.

Um, dois, três, quatro, cinco carneirinhos…

Enquanto se sentam lado a lado contemplando a vida sem brilho e sem luz, desmotivando até as pedras da calçada com aquele sentar lado a lado sem rumo e sem direcção. Descrentes de sonhos como sonhadores inatos que devagar aprendem um nova forma de não sonhar, ou simplesmente de não acreditar. Sentidos, magoados, de mal com tudo enquanto sentados miram o mundo em seu redor.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis carneirinhos…

Raivosos e enfurecidos com a injustiça de tanto barulho ensurdecedor enquanto estão sentados, gritando e insultando, pedindo assim ajuda, sem som, sem rima, sem vontade. O barulho de fundo preenche todos os espaços deixados vazios para contemplar a solidão. Gritando bem alto para superar o barulho de fundo que não pára, vozes, ideias, teorias, palavras que enchem tudo em seu redor.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete carneirinhos…

Numa infinidade de sensações e de deambulações, os temas percorridos saltitam de frustração em desmotivação, de sentido de culpa em raiva pelo outro. Sentem-se barulhos que não acabam e por isso não deixam silenciar a noite, descansar o cansaço de não fazer coisa nenhuma na altura do vazio completo.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito carneirinhos…

Horas a passar, correndo por entre os caminhos sinuosos das soluções inacabadas e dos sentimentos sem igual. Tempo que passa e não volta, horas perdidas e retorno, que se tornam inimigas do silêncio e do descanso. Tempos que fogem e tempos que aparecem com medo de seguir ou com medo de voltar.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, vinte carneirinhos…

Sem já saber sequer o seguimento das coisas, fugindo da lógica das coisas e seguindo a ordem dos tormentos, uns atrás dos outros, apresentam-se de par em par, espreitando, sobrevoando, pairando sem sair, sem se fundirem na lógica de que a os tempos são para calar e para seguir em frente, hora após hora, até um novo caminho começar a surgir por entre raios de sol matinal.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, vinte, trezentos carneirinhos…

Sábado, Abril 25, 2009

Eu completo-me...

Eu completo-me, eu completo-me hoje e sempre, eu completo-me aqui e ali, quando estou em cima e quando estou lá em baixo. Eu completo-me pela manhã e completo-me pela noite. Eu completo-me quando sinto e quando esqueço. Eu completo-me na sorte e no azar.

Eu completo-me na solidão e na companhia, nas perguntas e em demasia. Eu completo-me infinitamente, completo-me porque sim e porque preciso. Eu completo-me por me faltares, eu completo-me por estares. Eu completo-me sem saber, eu completo-me por conhecer.

Eu completo-me nas horas e completo-me nos dias. Eu completo-me desde sempre, eu completo-me para sempre. Eu completo-me a dormir, eu completo-me a fingir. Eu completo-me enquanto busco, enquanto espero, completo-me num sussurro.

Eu completo-me aqui e agora, completo-me porque sim, ou porque não, completo-me hoje e nunca, amanhã e depois. Eu completo-me por não me ouvires, eu completo-me por partires. Eu completo-me para continuar, eu completo-me para conseguir chegar.

Eu completo-me enquanto parto, eu completo-me sem não pensar mais, eu completo-me quando preciso e quando me aguento, quando avanço e quando recuo, eu completo-me enquanto espero o destino.

Eu completo-me, porque sou só eu…


Quarta-feira, Abril 08, 2009

Vida de Casada!