terça-feira, dezembro 25, 2007

Para quem entender...

Estrada branca
Lua branca
Noite alta
Tua falta caminhando
Caminhando, caminhando
Ao lado meu
Uma saudade
Uma vontade
Tão doída
De uma vida
Vida que morreu

Estrada passarada
Noite clara
Meu caminho é tão sozinho
Tão sozinho
A percorrer
Que mesmo andando
Para a frente
Olhando a lua tristemente
Quanto mais ando
Mais estou perto
De você

Se em vez de noite
Fosse dia
Se o sol brilhasse
E a poesia
Em vez de triste
Fosse alegre
De partir
Se em vez de eu ver
Só minha sombra
Nessa estrada
Eu visse ao longo
Dessa estrada
Uma outra sombra
A me seguir

Mas a verdade
É que a cidade
Ficou longe, ficou longe
Na cidade
Se deixou meu bem-querer
Eu vou sozinho sem carinho
Vou caminhando meu caminho
Vou caminhando com vontade de morrer


Vinicius de Moraes in "Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

2 comentários:

Papoila disse...

Bonita escolha... Vamos sempre caminhando mesmo que por vezes pareça que os pés nos puxam para trás...

Beijinhos
BF

Emília disse...

Lindo, como todo o Vinicius, mas triste, este poema.Fala de caminhar sózinho, e isso é infinitamente triste.Mesmo quando temos ao nosso lado quem queremos ter, estamos sós, muitas das vezes. É assim a vida: uma caminhada quase sempre solitária.Mas é em nós próprios, nessa dura solidão, que encontramos a força para seguir em frente.
Eu deixava o poema como está, só lhe mudava a última palavra: para VIVER.