Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Qualidade...


Dizem que nos bons momentos apercebemo-nos da quantidade de pessoas que nos rodeiam e que nos momentos maus da qualidade. Carácter e natureza verdadeiramente humana discernimos na dificuldade e na tristeza, comportamentos sensíveis e caridosos são necessários nos maus momentos. Ocasiões repletas de alegria e bem-estar são oportunas à formação de amplos agregados de pretendentes à partilha.

Mas como se caracterizam esses bons momentos, que angariam inúmeros participantes à partilha? Não serão esses bons momentos, que inundam a nossa envolvente, caracterizados apenas pela passividade, pelo bem-estar, pelo estado morno que transmite contentamento mas num grau controlado? Nos bons momentos que representam êxito e evolução, repletos de actividade e dinamismo, o que nos apercebemos aí? A quantidade, ou será que por incrível que pareça apercebemo-nos também da qualidade?

Estarão realmente muitos dispostos a partilhar e assistir a essa felicidade, a esses bons momentos? As conquistas, os sucessos e o dinamismo dos demais não acaba por nos pôr em causa? Impor de forma brusca a realidade que todos estão aptos a alcançar bons resultados e bons momentos, e que o poder está realmente nas nossas mãos e a causa da maioria das nossas frustrações e infelicidades é responsabilidade nossa?

Saber partilhar o êxito e o sucesso de quem nos rodeia não acaba por ser a demonstração mais evidente da nossa resolução interior? Partilhar a felicidade sem reticências, sem apontar o dedo ao percurso percorrido, sem pôr em causa o êxito e as conquistas não será a verdadeira mostra de grandeza interior e estima? Será que conseguimos distinguir a qualidade de quem nos rodeia também nestes bons momentos, ainda mais que nos maus?

Com as considerações que fazemos sobre os outros, estamos a mostrar muito mais o que nós realmente somos do que o que os outros são. Na maioria das atitudes que temos para com os outros e para com alguns acontecimentos estamos a revelar o nosso interior, não passando nunca despercebido.

Nos bons momentos, nos verdadeiros bons momentos, repletos de realização pessoal percebemos muito sobre aquilo que fomos, o que fizemos, a razão de comportamentos e posturas que em tempos nos caracterizaram, mas também conseguimos apreciar com muito mais discernimento quem nos rodeia, pesar a estima, estimar os afectos e apreciar a boa resolução.

Em conclusão depararmo-nos com a consciência que no mundo existe muita gente feliz e realizada, que nos sabemos rodear de muitas delas e que as escolhas por nós preconizadas nos últimos tempos, de manter ou largar, fizeram todo o sentido. A busca da realização pessoal é um dos verdadeiros segredos da vida, para nos apreciarmos de outra forma e para olharmos para o mundo ao nosso redor com outros olhos…

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