Segunda-feira, Novembro 22, 2010

Feminismo!?


A emancipação da mulher foi simplesmente subjectiva? Ou somente adequada ao que nos dava jeito? Quisemos os empregos, a independência financeira, o poder de decisão, mas continuamos a querer manter acesa a ideia que o homem é o culpado de tudo o que nos acontece, que eles é que são os mauzões e nós umas tristes vítimas. Ganhámos o poder na nossa vida somente para o que nos interessa? No que dá jeito ainda culpar os homens queremos manter as mentalidades de 1914?

O espírito sofredor das mulheres de antigamente que sofriam de amor, sem poder fugir de tal desventura, que eram vítimas de homens austeros, desinteressados que só as faziam sofrer pensando única e simplesmente no seu proveito ainda quer ser mantido nos dias que correm em que todos temos hipóteses de escolha. Quem temos ao nosso lado e o caminho que escolhemos é responsabilidade de quem? Nossa? Do destino?

Sofrimento existe, mas existe sem forma e género? Sofrimento existe sempre que existem sentimentos e todos estamos aptos a sentir. Nos considerarmos detentoras do sentir, do sofrer a até do pensar, e catalogar os homens como seres desprovidos de tais sentimentos parece inteligente? Então se somos nós seres superiores aos habitantes de Marte, sentimos, sofremos, pensamos tanto, temos mais do que aptidões para saber escolher melhor, fazer melhor por nós e nos queixarmos menos.

O queixume, a vitimização, os suspiros completados pela argumentação que quem sofre é que sabe, e que a mulher que sofreu nas mãos de um dos terríveis habitantes do 4º planeta torna-se na mulher sabedora, vivida, astuta que já sabe que nenhum daqueles seres merece sequer o benefício da dúvida. Não será esta vitimização, este ataque continuado ou mesmo estes suspiros de mulher sofredora uma tentativa de desresponsabilização das nossas escolhas e opções de percurso de vida?

Nos dias modernos das mulheres independentes, ouvir uma mulher dizer que somos mais frágeis e vítimas não parece no mínimo estranho, a roçar até o absurdo? Estaremos ainda obrigadas a ser vítimas de um homem “abusador”? É algo de que não podemos fugir, porquê? Não adquirimos o direito à independência? Então não estaremos com ele porque queremos? E, logo, a culpa é verdadeiramente nossa se nos tratam mal, e não daquela espécie maligna que somos vitimas, em que todos se comportam de forma semelhante e se não o fazem mais cedo ou mais tarde irão o fazer?

O amor poderá ter consequências de sofrimento, como poderá nos fazer bem, mas será que podemos responsabilizar o amor, o amar demais, o sentirmos muito pelas nossas más escolhas ou pela ilusão que podemos mudar o outro para que este seja o nosso príncipe encantado? Quem não sofre, não lamenta, não acusa será que não ama, ou será que já descobriu que o amor não tem que ser necessariamente o continuado sofrimento?

Para quem acredita nos relacionamentos humanos, na partilha da vida entre duas pessoas, não será bizarro fomentar e apregoar que o homem não sente, não comunica, não sofre, e querer ainda assim encontrar o príncipe encantado? Se a espécie masculina é assim, porque queremos um? E se queremos um, será que os sãos e benignos quererão se juntar a quem os generaliza e coloca neste grupo de tiranos demoníacos sem se responsabilizar pelos seus actos e escolhas?

Se este discurso de propaganda que a espécie masculina é malévola e desprovida de sentimentos ou que são todos iguais, é preconizado por aquelas que dizem que sofreram, o discurso que a espécie não é assim tão má e que existe de tudo é linearmente associado a perspectivas naif, sorte ou pouca experiência de vida. Talvez quem não faça propaganda deste tipo de discurso não seja necessariamente quem nunca sofreu, nem tão pouco as mentalidades inocentes que ainda acreditam em contos de fadas, mas sim quem já percebeu que o poder da felicidade e da partilha da vida com alguém que valha a pena está mais nas nossas mãos que nas mãos do destino, e se tivemos uma má experiência a culpa poderá não ser da espécie em si mas sim da nossa escolha, normalmente caracterizada por padrões de acordo com as nossas vivências. Mudando os padrões, mudando a forma de escolha não mudaremos o nosso destino?

Se queremos a vida partilhada, não será o nosso complexo de superioridade, descrença e generalização da espécie masculina, um impeditivo gigante para um relacionamento saudável? Se somos aquelas que sentem, sofrem e pensam muito, não temos a obrigação de não nos prendermos em discursos fúteis e contraditórios? Ao sentir, sofrer e pensar muito no amor, nos relacionamentos deveríamos aprender muito, e alcançar assim o estado em que sabemos o que é melhor para nós, saber escolher mas saber também aceitar os outros como eles são.

De príncipes encantados está o mundo cheio e existem, pode é acontecer aquele não ser o nosso príncipe encantado e quanto mais cedo largarmos as crenças e generalizações sobre a espécie masculina, mais cedo abrimos portas e deixamos espaço livre para o certo entrar.

A generalização e a caracterização desmedida e pouco formada de espécies, impede a aceitação de nós próprios e dos outros assim como são, impede a felicidade e obstruí a visão e pensamento evolutivo. Sentir todos sentem, cada um à sua maneira, a vivência saudável entre Marte e Vénus está na aceitação, na admiração e no respeito. Sejamos verdadeiramente emancipadas e não limitadas.

1 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Muito bom seu post! Amei!

Beijocas